25. Curry Cabral

A hospitalização em Lisboa foi sempre difícil com várias fases de agravamento que o Hospital de São José, apesar dos sucessivos Anexos não conseguia debelar. Foi nestas tarefas quase ciclópicas que a personalidade do Professor Curry Cabral se evidenciou como um notável administrador hospitalar. O período de 1901-09, que corresponde ao mandato de Enfermeiro-mor, é uma fase de grande brilhantismo na vida hospitalar lisboeta. Já antes Curry Cabral era conhecido como dedicado colaborador da Rainha D. Amélia na luta contra a tuberculose e um reputado cirurgião e professor distinto de Medicina Operatória na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa.

Curry Cabral organizou os serviços de higiene hospitalar com fornos de incineração, procedeu à fiscalização rigorosa dos géneros alimentícios, criou o Laboratório de Análises Clínicas no Hospital de São José, organizou a estatística hospitalar e correlativo boletim, e criou a Escola de Enfermagem. Devem-se-lhe ainda a construção dos novos edifícios do Hospital de Santa Marta, destinado a doenças venéreas e sífilis, e do Hospital do Rego onde se instalaram as doenças infectocontagiosas febris, aumentando a capacidade dos Hospitais Civis para mais de 1200 doentes. Ao Hospital do Rego foi, mais tarde, atribuído o nome de Curry Cabral como seu patrono.

Teve atritos com a Escola Médica pela decisão de suspender o internato nos hospitais e de cercear a livre movimentação dos alunos nas enfermarias. A austeridade da sua vida e a probidade do carácter granjearam-lhe grande número de admiradores mas também tenazes inimigos que rejubilaram com a demissão compulsiva que lhe foi imposta após a revolução de 1910.