1. Soares Franco

Na primeira fase da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa (1822) em que os sócios eram médicos, cirurgiões e boticários, portanto com estatutos profissionais e sociais bem diversos (as escolas médico--cirúrgicas só surgiriam em 1836, e as faculdades de medicina em 1911), foi natural que o seu primeiro Presidente Francisco Soares Franco, se impusesse. Provinha da única Faculdade de Medicina do País, onde atingira a categoria de lente.Tinha sólida cultura. Formou-se em Coimbra, a expensas da Casa Pia, em Matemática e Filosofia antes de cursar Medicina. Só desempenhou o cargo de Presidente no efémero período de seis meses de vida da Sociedade.

Retomou tão distinto cargo 12 anos mais tarde, em 1835, na segunda fase da Sociedade, agora com um núcleo de sócios com mais elevadas posições profissionais e culturais.

As suas ideias liberais levaram ao seu afastamento da Universidade de Coimbra (1823), para ser reintegrado dois anos mais tarde.

Deve salientar-se a importância da sua memória de 1836 Sobre o grau de certeza que há na Medicina prática. Neste interessante documento de há quase 170 anos, antecipa que a Medicina não é uma ciência conjuntural e incerta, o que demonstra com os já brilhantes êxitos da época: o mercúrio nas doenças venéreas, a vacinação de Jenner contra a varíola, a cauterização na raiva e o quinino nas febres intermitentes.

A tradução do livro de Corber teve a maior importância para divulgar em português a nomenclatura de Laennec.

Cultivou a poesia, publicada quando jovem, e dedicou-se mais tarde ao jornalismo na Gazeta de Lisboa, interessou-se pelo progresso agrícola tendo produzido e traduzido várias obras.